quinta-feira, 20 de março de 2025
A "Melhor" Idade
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Às Vezes é Tempo de Calar
Quando abri esse blog o objetivo era aliviar minha alma de tanta dor e externar aquilo que mais me magoava e que eu sempre silenciava e escondia porque tinha aprendido que "roupa suja se lava em casa". Hoje sei que esse aforismo é um dos recursos que os abusadores inculcam nos abusados para esconder seus atos. Escrevi muitas coisas que me deram certo alívio na época, mas passado o tempo descobri que não quero expor essas pessoas, porque seria uma coisa ruim que sempre estaria ligada à minha imagem quando meus descendentes lessem. O que é escrito atravessa séculos. Por isso apaguei o pior e deixei apenas o que mostraria minha essência, meus gostos e curiosidades. Hoje estabeleci que de agora em diante há muitas coisas para calar. Tentarei mostrar a leveza e humor que estão dentro de mim, qualidades que me fizeram superar as épocas ruins e me reconstruir.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
Quando o Demonio tornou-se Anjo
Um dos piores infernos em que estive ocorreu entre 2008 e 2011 quando meu marido adoeceu e morreu. De um dia para o outro, entreguei um homem forte e saudável no hospital e me jogaram nos braços um vegetal que não era mais capaz de se movimentar, comer, beber e nem mesmo falar. Ninguém me ensinou como cuidar desse homem-bebê de 1.85 m e eu fiz tudo, numa cidade onde eu estava sozinha, não tinha empregada e nem mesmo dirigia (consequência de um trauma). Eu nem sabia que podia contratar cuidadores, passava dias e noites correndo a pé ou de taxi para cobrir todas as necessidades dele e ainda cuidar do apartamento imenso. Virei uma sombra exausta, mas consegui com que ele voltasse a ser um pouco do que era. Mas aí ele estava surtado e passava o tempo todo me espancando e tentando me matar e eu já estava entregue, quando os vizinhos chamaram uma ambulância e a polícia e ele foi levado para um hospital psiquiátrico e eu fui atendida por uma vizinha psiquiatra e uma psicóloga que trabalharam juntas para me recuperar e me tirar da apatia. Alguns meses depois ele faleceu e começou meu novo tormento. Aqui quero observar que eu estava privada de pensamento lógico e minha vida era uma névoa de dor enquanto tomava remédios fortes e fazia análise. Tinha um telefone fixo no quarto e todas as noites, por inúmeras vezes um homem me ligava dizendo as maiores obscenidades e descrevendo com detalhes escabrosos o que iria fazer comigo antes de me matar e jogar meus pedaços numa vala. Eu desligava e ele voltava a ligar pelo resto da noite não me deixando dormir. Uma noite desisti de desligar e deixei o telefone no travesseiro enquanto ele falava o que queria pensando que eu estava ouvindo. Mas a situação era tão horrível que comecei a chorar e do choro passei a uivar, quando percebi que ele começou a gritar meu nome com insistência. Peguei o telefone e perguntei o que mais ele queria de mim. Ele se mostrou surpreso e perguntou por que eu estava chorando. Falei que depois de tudo que eu estava passando ainda tinha que ouvir constantemente as ameaças dele, então eu só me restava chorar e esperar que ele cumprisse as ameaças. É importante dizer que ele tinha um palavreado característico de gangues, o que fazia com que suas ameaças se tornassem mais críveis. Ele pediu que eu contasse que sofrimentos eram esses e eu contei mais ou menos o que citei acima. Ele ouviu tudo calado e perguntou se eu tinha algum remédio para dormir e eu disse que sim, mas que ele mesmo me deixava acordada todas as noites e durante o dia tinha medo de sair de casa e ele estar me esperando para me sequestrar e fazer tudo que prometia. Então eu que fiquei surpresa, porque ele disse que tinha sido enganado pela pessoa que o mandou, que eu podia dormir em paz, que ele só me ligaria mais uma vez na noite seguinte e que eu poderia atender tranquila. E ele fez o que prometeu; na noite seguinte ligou com uma voz doce, disse que tinha conversado com o pastor dele, tinham orado pedindo perdão pelo que havia feito comigo e que daquele dia em diante ele cuidaria de mim da melhor forma que pudesse, de longe. Se despediu dizendo que eu ficasse com Deus e nunca mais me telefonou. Eu o perdoei de coração, mas não sei quem quis me ferir tanto, embora tenha minhas desconfianças. Mas sei que existem demônios que podem se tornar anjos. O homem que me ameaçava antes não parecia o mesmo de depois.
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
Acima do Preconceito, Conto Verdadeiro

Maria morava numa cidade do interior, quando não havia separação de classes sociais nos bairros. Em frente à sua casa morava uma família de negros, com muitas crianças. Por ser branca de de classe média, Maria constantemente sofria com o preconceito dos vizinhos. Desde a manhã quando saía para ir ao colégio ela era seguida pelos gritos de "branquela", "coalhada azeda" e tantos outros apelidos referentes à sua cor. Felizmente Maria ficava constrangida por não poder sair de casa sem os acompanhamos xingatórios, mas não guardava rancor. As famílias moraram de frente por muitos anos mas nunca se falaram, talvez pelas palavras, talvez pelo hábito que eles desenvolveram de jogar seus piores lixos no jardim de sua família. Maria cresceu e mudou-se para longe, voltando ocasionalmente ao antigo lar para visitas. Ao ver a casa de frente esvaziar-se gradativamente sempre pedia à mãe noticias dos vizinhos. Um dia ela contou-lhe da triste vida que a matriarca vizinha levava. Por causa do diabetes estava totalmente cega e passando por terrível penúria. O coração de Maria confrangeu-se de tristeza e ela descobriu ali que os inimigos de longa data tornam-se parentes. Pela primeira vez atravessou a rua, pediu licença à porta e dirigiu-se ao quarto escuro e triste onde jazia uma senhora de pele negra e cabelos totalmente brancos.
-Quem está aí?
-Sou eu, Maria, filha de dona Ana, como vai a senhora?
Em prantos ela permitiu que Maria sentasse em sua cama e segurasse suas mãos entre as dela. Quando Maria colocou-lhe nas mãos um maço de notas ela não queria aceitar de forma alguma, dizendo que não merecia. Só mudou de ideia quando com voz embargada Maria explicou que sempre se lembrava dela como uma tia porque todos os anos de proximidade haviam formado um laço maior que o preconceito.
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
Conexão
Tenho profunda conexão com o universo. Isso faz com que eu saiba de muitas coisas sem ter pesquisado, que meus instintos gritem quando estou em perigo ou me levem a lugares que preciso ir como um verdadeiro GPS. Muitas vezes confundi os alertas, as bandeiras vermelhas com as verdes, por imaturidade ou teimosia e os resultados foram péssimos. Com o amadurecimento entendi que tudo é uma grande engrenagem, onde cada ser humano é responsável pelo seu bom ou mau funcionamento, portanto, se formos uma peça limpa e inteira permanecemos como parte do mecanismo e conheceremos seu núcleo. Se não, seremos esmagados ou cuspidos fora. Mesmo como criatura não política, nas eleições de 2018 senti uma profunda rejeição por determinado candidato, que infelizmente ganhou. Logo depois comecei a sentir um medo enorme, uma nuvem do mal se formando e eu não conseguia identificar de onde vinha nem o que era, mas garanto que era muito angustiante. Era a pandemia. Não gosto de futebol, mas enquanto meu companheiro assistia a um jogo e eu via um filme vi uma palavra que acionou a bandeira vermelha, uma tal de BET. Perguntei o que significava aquilo e ele disse que não sabia porque era a primeira vez que via a palavra, mas eu sentia que não era uma coisa boa e que cresceria muito em pouco tempo. Está aí e começa a mostrar seus frutos. Não tenho religião, mas me assustei demais quando vi determinada religião brotar em todos os lugares como erva daninha, uma religião que não exigia nada de seus pastores, a não ser um microfone e cadeiras para as ovelhas se acomodarem. E quanto mais ovelhas, mais dinheiro. Agora está em todas as casas, empresas e órgãos governamentais enfiando por nossa garganta suas convicções tolas e promovendo o ódio contra quem pensa diferente. Escrevo isso usando máscara depois de uma noite terrível lutando pra respirar, olhando através do vidro da janela e vendo a cidade toda coberta pela fumaça. Isso porque a ordem vinda dos esgotos sujos e obscuros era "tocar fogo no Brasil". Combina bem com eles e seu habitat que é o fogo dos infernos. Devem estar muito felizes gargalhando e admirando as chamas. E pouco se importam com quem morre pela peste ou pelo fogo. Se perguntar, porão a culpa em Deus, como sempre fazem.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Relógios
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
Fim da Estrada
Quando acabava a estrada à frente comecei a olhar para trás. Vi quando ao invés de escolher o caminho seguro me iludi com um jardim de flores venenosas. Vi quando lutei com dragões para conquistar lindos tesouros e preferi trocá-los por gravetos e cascalhos. Vi quando tinha as cartas vencedoras na mão e preferi desistir do jogo. Me vi uma criança sozinha e desgarrada a quem não ensinaram o caminho mas me empurraram para que seguisse em frente. Segui cheia das melhores intenções, mas agora percebo que isso não blinda ninguém e muitas vezes pode nos tornar vítimas de nós mesmos e daqueles que se aproveitam da ingenuidade. Hoje triste e assustada percebo que sempre me joguei de cabeça certa que valia a pena e quase sempre tomei as decisões erradas. Considero minha vida um enorme desperdício. Usei todos os meus talentos da forma errada ou apenas não os usei quando deveria. Coloquei a enorme bagunça que fiz numa peneira e percebi que juntei poucos tesouros; uma filha e três netos maravilhosos que me deram uma felicidade genuína e que provavelmente são meu único trunfo, meu canto de cisne. Agora que estou chegando ao meu destino final espero sinceramente que se houver retorno o Universo nunca mais gaste sua preciosa energia comigo, porque não sou uma aplicação rendosa. Se voltar for absolutamente necessário, sugiro que usem minha energia vital em algum inseto ou ave, que não carregue consigo grandes expectativas próprias ou alheias. Sou muito grata pelo que recebi e peço perdão por não ter correspondido ao que se esperava de mim. Só posso garantir que sempre pensei estar fazendo o melhor para mim e para os outros, mas como diz o adágio popular, de boas intenções o inferno está cheio.
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Das Coisas Inexplicáveis
Quando eu era policial federal, trabalhava no famoso Máscara Negra em Brasília, sede da organização. Do lado direito da foto ficava o estacionamento externo e do lado esquerdo do tronco da árvore, no ponto mais escuro ficava a entrada e saída. Um dia, quando cheguei nessa porta para sair, senti um baque no estômago e nas costas, como se alguma coisa tivesse me atingido e atravessado meu corpo. A princípio achei que tinha levado um tiro à distância ou com silenciador, mas não havia ninguém à vista. Senti uma ardência forte no local mas olhei e não tinha nada de anormal à primeira vista, mas assim que entrei no carro levantei a blusa e havia uma mancha vermelha, redonda e um pouco alta com cerca de 1 cm de diâmetro. Meu espanto foi maior quando cheguei em casa e meu marido percebeu que o mesmo sinal aparecia em minhas costas, no ângulo exato do dianteiro. Como ardia e nós não fazíamos a mínima ideia do que estava acontecendo, fomos procurar um médico, que não encontrou nenhuma explicação para o fato e disse que nunca tinha visto nada parecido. Só me restou esperar que aquilo passasse e levasse consigo o seu mistério.
segunda-feira, 12 de agosto de 2024
Luz Não Identificada
Já morei em muitas casas e muitos lugares, mas sempre escolhi um cantinho para me sentar, observar as estrelas e pensar, depois que todos se recolhiam. Nesses momentos de paz sempre apago as luzes, para não interferirem em meus devaneios. Certa vez eu morava num condomínio onde minha casa dava fundo para um muro alto que delimitava todo o conjunto. Ali tinha a piscina e entre outras coisas um banquinho onde eu me sentava depois que tudo silenciava. É importante dizer que atrás do muro existia um enorme terreno baldio. Uma noite eu estava lá a algum tempo quando comecei a ouvir um barulho como de estática a vi que atrás do muro crescia uma esfera de luz azul muito brilhante, fluorescente. Era grande e crescia regularmente como uma lua cheia, com as bordas bem definidas e pude ver a metade dela. Me enchi de coragem e medo do desconhecido. Enquanto pensava em ir correndo ver o que era, eu pensava em minha família dormindo e que "aquilo" poderia me destruir ou arrebatar e ninguém ficar sabendo. Depois de algum tempo se apagou da mesma forma que surgiu. No outro dia cedo fui ao terreno e não encontrei nada diferente, se bem que eu não sabia o que procurar. Comentei com minha família e minha filha disse que uma mocinha que morava numa casa mais distante da nossa disse ter visto a mesma coisa no mesmo horário. Até hoje me pergunto o que seria. Já ouvi muitas explicações, muitas totalmente estapafúrdias, mas nenhuma que fizesse sentido para o que vi e ouvi. Procurei uma imagem mais parecida com o que vi, mas não encontrei.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
George Washington, o Lagarto
Até poucos anos atrás eu tinha fobia de lagartos. Mas não era coisa simples, era terror de verdade. Uma lagartixa dentro de casa já fazia que eu ficasse fora de mim e não conseguisse entrar enquanto não fosse retirada. Muitas vezes caí em pranto quando via alguma muito perto de mim. De onde surgiu esse pavor? surgiu quando eu era muito pequena e alguém me disse que as lagartixas gostavam de morder as pessoas e ficar penduradas nelas para soltar apenas quando trovejasse. Pois bem, tive uma casa que tinha uma piscina nos fundos e na lateral tinha uma varanda onde ficava a porta da sala de tv e a da cozinha, de onde não se visualizava a piscina. No final da tarde eu costumava ficar na sala de tv vendo algum programa, lendo ou fazendo alguma arte manual, enquanto a família não voltava para casa. Em determinado dia ouvi um barulho na piscina e fui ver. Aterrorizada vi um lagarto verde se debatendo desesperado tentando sair da água e um misto de medo e pena tomou conta de mim. Eu tinha certeza que se colocasse a peneira perto dele ele aproveitaria para subir no cabo e me atacar, mas por outro lado meu coração doía ao ver o desespero dele. Meu coração venceu o medo e tremendo eu o recolhi com a peneira, coloquei na beira da piscina e corri para dentro de casa certa de que ele estava atrás de mim, mas claro que ele não veio. No outro dia, no mesmo horário, quando vim para meu lugar habitual quase infartei. Não é que o lagarto estava na lateral da casa, direto no meu ângulo de visão, parado me olhando? Fiquei congelada, com os pés sobre o sofá e de olho nele. Passado um tempo ele virou-se e foi embora, mas a história não acaba aí, porque ele continuou vindo todos os dias no mesmo horário e estava ficando cada vez mais perto. Vi que precisava fazer alguma coisa e só me ocorreu conversar com ele e à distancia eu disse a ele que poderíamos ser amigos, mas nunca íntimos a ponto dele entrar em casa ou nos tocarmos. E ele só me olhava e talvez pensasse que eu era louca e talvez estivesse certo. Mas continuou vindo todos os dias, comecei a conversar com ele e inclusive dei-lhe o nome de George Washington e acreditei que ele tinha entendido os limites traçados por mim. Algum tempo depois meu marido foi transferido para São Paulo e tivemos que vender a casa. Quando soube minha grande preocupação foi o que fazer para garantir o bem estar do lagarto. Fiquei com muito medo que ele viesse inocentemente me procurar e alguém o matasse ou ferisse. Só havia um jeito de garantir que isso não aconteceria e coloquei o plano em prática. Um dia veio um comprador e gostou muito da casa e marcou de trazer a esposa. Quando ela veio gostei da energia dela e perguntei se ela tinha medo de lagartos e o que faria se visse algum dentro do quintal. Ela disse que gostava de todos animais e que não faria nada se algum entrasse. Aliviada contei a ela sobre George Washington e ela me garantiu que ele estaria seguro se voltasse à casa. Espero que ele tenha encontrado nela uma amiga. Eu nunca esqueci meu amigo confidente.
terça-feira, 30 de julho de 2024
Número da Sorte
Sou muito pragmática, acredito apenas naquilo que pode ser provado. Mas aparecem coisas em minha vida para as quais não encontro explicação. Mas existem e acontecem comigo, como por exemplo, o número 21, que me acompanha sempre nos momentos de sorte. Comecei a perceber isso quando me inscrevi no concurso da Polícia Federal e recebi o número 021, quando em todo Brasil mais de 12.000 pessoas se inscreveram. Fiz as provas e fiquei aguardando um telegrama que diria se fui aprovada ou não. Não me lembro exatamente quanto tempo esperei, mas num dia 21 chegou um telegrama dizendo que eu estava classificada. Quando me apresentei recebi uma carteira de aluna que terminava com o número 21 e descobri depois que na minha turma de 200 alunos, só 21 mulheres tinham sido aprovadas. Cumpri o treinamento e recebi a carteira policial que, é claro, mais uma vez terminava em 21 e eu tinha 21 anos de idade. Desde então tenho observado que esse número me acompanha em tudo que me faz bem e que qualquer coisa que depende de número, se tiver o 21, já tenho a certeza de que vai dar certo. Por exemplo, tenho o olfato extremamente apurado e tinha muita dificuldade em encontrar uma colônia que combinasse comigo. Um dia entrei numa loja de roupas e vi numa prateleira um vidro lindo, com o numero 21 escrito em dourado. A vendedora me disse que se tratava de uma colônia que a Le Lis Blanc tinha criado para comemorar o aniversário da marca. Experimentei e nunca mais deixei de usar, porque é exatamente o que eu procurava. São tantas coisas que acontecem comigo e estão ligadas a esse numero, que fica impossível acreditar que seja apenas coincidência.
quinta-feira, 18 de julho de 2024
Meu Amigo Zebinha
quarta-feira, 17 de julho de 2024
Improvável - TV Devolvida
Só uma vez na minha vida tive um bem subtraído. Aconteceu em Cuiabá há muitos anos quando numa manhã muito agitada alguém pulou o muro e levou a televisão da estante de minha casa. Foi feito um Boletim de Ocorrência e assunto esquecido. É importante dizer que sou dessas pessoas que tem pastas para tudo que é importante e sempre guardei todas as notas fiscais de objetos comprados e só muitos anos depois me desfaço delas. Os meses foram passando e eu não tinha esperança de recuperar a TV, mesmo porque diziam que se a polícia a recuperasse, o que era improvável, não a devolveria. Mais de ano se passou e um dia recebi um telefonema da delegacia e a pessoa me perguntou se eu tivera uma televisão furtada na data tal. Quando confirmei a pessoa perguntou se por acaso eu ainda teria a nota fiscal e para susto dela eu disse que sim. Foi solicitado que eu a levasse na delegacia e assim o fiz. Surpresa recebi a televisão de volta em excelente estado e o delegado me disse que ela tinha sido encontrada na casa de um receptador e que ele também tinha se surpreendido por ele não havê-la repassado. Questionado, disse que tinha resolvido ficar com ela para si porque a imagem era muito boa. Até hoje pessoas duvidam da corrente de improbabilidades que fez o único objeto que tentaram tirar de mim voltar para minhas mãos. Até eu não entendo. Mas agradeço.
Improvável - Bolsa no Aeroporto
Comigo acontecem coisas inacreditáveis. Um dia eu estava no aeroporto de Guarulhos a caminho da Europa, para ver minha família que à época morava em Praga, na República Tcheca. Antes de passar pela alfândega resolvi ir ao banheiro. Todos sabem o quanto aquele aeroporto é inseguro e para piorar era uma época do ano em que havia superlotação. Quando voltei sentei-me um pouco para organizar os papeis que levaria em mãos para embarcar na ala internacional, quando senti aquele gelo que todos conhecem invadir meus ossos, já que minha bolsa não estava comigo. Tratava-se de uma bolsa de grife, com dois passaportes dentro, euros, dólares e alguns reais, além das joias que só uso no exterior. Corri de volta ao banheiro, com a certeza absoluta que jamais veria qualquer daqueles itens novamente. Quando avistei a porta do banheiro vi uma mulher em pé antes da entrada, segurando minha bolsa na frente do corpo. Fiquei eufórica, como se presenciasse um milagre, o que de fato era. Ela olhou para mim com um sorriso doce e disse que tinha achado a bolsa dentro de um box, mas ficou com medo de entregar para qualquer um. Sabendo que a dona voltaria, ela preferiu ficar na porta segurando a bolsa, para garantir que a pessoa tivesse tudo de volta. Saí dali em estado de graça, com a confirmação daquilo que eu sabia, que anjos e demônios são de carne e osso e eu tinha tido a sorte de cruzar com um deles naquele dia. Nunca deixei de desejar que ela também encontre muitos anjos em seu caminho e que a vida lhe retribua mil vezes o que ela fez por mim, já que ela se fez credora do universo ao não aceitar gratificação por seu gesto generoso.
quinta-feira, 11 de julho de 2024
De Amor e de Ódio
De tudo que fiz na vida, com enorme sacrifício e excelentes intenções, só me sobrou a família. Eram sonhos grandiosos, de uma jovem boba que pensava poder controlar o futuro. Programei e segui à risca, mas tudo deu errado. Sou responsável, porque ninguém me obrigou a nada, não tomei atitudes forçadas por nada, além de meu caráter e minha gigantesca ingenuidade. Um dia, já no outono da vida, vi que de todos os sonhos só me sobrara um, que considero o maior de todos. Minha filha me deu três netos, pelos quais enlouqueci de amor. Infelizmente não moravam perto de mim, mas existiam e eu podia vê-los e tocá-los com frequência. Nem nos piores pesadelos eu imaginava que seria afastada deles, mas veio a pandemia. No início pensei e torci para que fosse algo passageiro e eu pudesse usar as passagens que sempre comprava com antecedência para ir até eles, mas isso não aconteceu, porque a ciência corria atrás de fabricar vacinas em tempo recorde. Meu coração sangrava e meus netinhos sem entender sobre vírus e vacinas, pediam que eu fosse vê-los. Eu acompanhava o resto do mundo comprando vacinas assim que surgiam, mas o governo do Brasil se negava a isso, embora tivesse ofertas dos laboratórios, tão logo foram criadas. Eu via o mundo se libertando aos poucos de e retomando a vida, mas nós não podíamos. Durante quase dois anos transitei entre a depressão e fios de esperança. Nas noites insones eu traçava planos para chegar até minha família, tentava achar voos alternativos, tinha planos loucos de chegar o mais perto possível e depois completar o trecho a pé, através de florestas. Procurei conseguir me vacinar em outro país, mas para os corretos o Brasil virou uma prisão instransponível onde ninguém saía e ninguém entrava. Doía tanto que passei a ficar a maior parte do tempo deitada no escuro, já então pensando em suicídio e odiando com todas as minhas forças a pessoa que com um simples ato de humanidade poderia acabar com meu sofrimento e de milhões de brasileiros. Mas ele não era humano. Nunca tive medo do COVID, tanto que se peguei o vírus não fiquei sabendo. Lá fora meus netos iam à escola, recebiam a visita do avô que morava em outro país europeu, enquanto aqui eu era xingada quando ia a uma praça vazia, apenas para colocar os pés no chão e pedir à natureza um pouco de força para sobreviver. Dormir era meu único consolo e acordar um pesadelo. Eu vivia em prantos e ele ria, às vezes gargalhava. Que o universo me perdoe, mas existe uma pessoa no mundo que eu odeio com todas as minhas forças e de quem não gosto nem de ouvir o nome, porque de todas as dores que já passei ele foi o pior carrasco.
terça-feira, 9 de julho de 2024
Inundação sem Chuva
Cheguei em Cuiabá com duas crianças pequenas, uma delas ainda bebê, acompanhando meu marido que tinha sido transferido. Como não tínhamos casa, ele conseguiu um empréstimo na Caixa Econômica Federal e combinou com um "amigo" construtor que as parcelas para a construção seriam repassadas a ele, que ficou totalmente à vontade para fazer uma casa muito mal feita, cujo piso tinha cerca de 4 cm de distancia entre cada lajota e os arcos da frente eram todos tortos. E eu era a única que reclamava, sem sucesso. Tanto reclamei que fui despachada para a casa de minha mãe com as crianças, a mais de mil quilômetros de distância, por três meses consecutivos, sem direito a visitas à futura casa. Quando ficou pronta pude voltar, mas meu marido não passou a noite em casa. No meio da noite acordei com um barulho de chuveirinho. Do lado da cama ficava um interruptor e uma tomada de duas entradas. Antes de acender a luz levei a mão em direção ao barulho e realmente saía um esguicho forte de água pela tomada. Acendi a luz e vi o tamanho do estrago, pois até o globo de luz estava cheio e o piso estava com 10 a 15 centímetros de água. Embora sem entender como não tinha sido eletrocutada e muito menos o que estava acontecendo já que não estava chovendo e a casa não ficava perto de qualquer curso d'agua, corri e desliguei a chave de eletricidade e fui lá fora desligar o registro de água. Em questão de segundos tirei as crianças pela janela mais perto, pois achava que a casa ia desabar. Fomos para uma edícula que nos fundos e esperei o dia amanhecer, deitada no chão com as crianças. Naquele tempo não tinha celular e eu não sabia onde meu marido estava, além de não ter nenhum conhecido na cidade. Quando amanheceu e ele chegou, descobriu que a construtora tinha esquecido de colocar uma boia chamada ladrão na caixa d'água, por isso a água só parou de entrar quando desliguei o registro e fez uma piscina dentro e em cima da casa. Isso exigiu que todas as telhas fossem retiradas até que tudo secasse e toda a casa fosse pintada de novo, com a família dentro. Só continuo não entendendo porque peguei na água que saía da tomada, pisei no chão e não fui eletrocutada.
quinta-feira, 27 de junho de 2024
A Força do Nome
Como profunda admiradora da vida e suas complexidades, percebi que cada nome traz em si uma característica, que pode ser boa, má ou insignificante. Aconteceu ao acaso e comecei a perceber isso naturalmente. Nem mesmo tenho explicação, só sei que é fato e deve fazer parte da ordem do universo. Também tem as exceções como tudo na vida, mas aconselho com veemência que sempre que alguém for dar nome a uma criança, no mínimo relembre todas as pessoas de seu conhecimento que possuem tal nome e procure o que possuem em comum. Às vezes é cor dos cabelos, peso, manias ou coisas mais sérias como desvio de caráter e doenças. Muito mais tarde, quando conheci a Republica Tcheca descobri que lá cada pessoa tem o dia do nome, ocasião tão ou mais celebrada que o dia do nascimento. Nesse dia as pessoas costumam receber flores e presentes e isso certamente mostra a importância da escolha do nome de uma criança. Lá não é costume usar nem inventar nomes novos cheios de Ls, Ys, Ws e Hs como aqui, usa-se nomes testados pelo uso e resultados. Tenho uma lista de nomes ruins, como Art.. para meninos e Vi..... para meninas, que geralmente têm doenças graves ou mortes trágicas. Os Ju.... trazem uma tendência à obesidade. As Su.... costumam ser consumidoras compulsivas. Teria muitos outros nomes com características de bondade, honestidade, narcisismo, etc., mas não estou escrevendo um livro, apenas um alerta sem bases científicas e deixo a critério de cada um fazer suas próprias análises.
domingo, 23 de junho de 2024
Alguém Igual a Mim?
Consta em minha certidão que nasci em Unaí, cidade do estado de Minas Gerais, mas fui criada em Formosa, cidade goiana que fica a cerca de 137 km de lá. Meus pais eram presbiterianos e frequentávamos a igreja regularmente, principalmente aos domingos, quando íamos à escola dominical de manhã e ao culto à noite. Certo dia, no início da adolescência, ao chegar ao culto fomos informados que o pastor de Unaí estava em visita à cidade e estava no culto. No fim do ato, como era de praxe, o pastor ficou na porta cumprimentando os fiéis e nesse dia o pastor visitante ficou ao lado dele. Quanto foi minha vez e de meus pais ele alegremente dirigiu-se a mim usando outro nome e perguntando como tinha chegado tão rápido e porque não tinha dito a ele na escola dominical que eu iria para Formosa nesse mesmo dia, porque sendo assim ele me daria uma carona. Surpresa eu disse que aquele não era meu nome e que nem mesmo conhecia Unaí, mas ele insistiu como se eu estivesse brincando com ele, já que eu frequentaria a congregação dele e ele teria me visto naquele mesmo dia e me conheceria muito bem. Meus pais interromperam o constrangimento e no caminho de casa me convenceram que o pastor estava enganado. Mas isso não ficaria por isso mesmo. Cerca de cinco anos depois eu tinha uma colega de colégio e grande amiga. Nos víamos todos os dias, ficávamos juntas no intervalo e nos sentávamos próximas. Numa segunda-feira ao chegar na escola encontrei-a eufórica, me esperando na porta. Mal cheguei foi me contando que tinha ido passar o final de semana na casa de parentes em Planaltina (cidade vizinha) onde tinha encontrado uma moça igualzinha a mim. Disse que correu atrás da moça chamando meu nome e quando conseguiu alcançá-la ela não demonstrou surpresa, dizendo que não era a primeira vez que era confundida comigo e isso acontecia com mais frequência em Unaí onde ela morava até pouco tempo. Mais uma vez minha mãe me convenceu de que provavelmente ela se parecia comigo mas não era igual. Tantos anos depois continuo com vontade de conhecer essa pessoa, pois sou filha única e sempre fui muito solitária. Seria muito bom conhecer alguém tão parecida comigo e com tanta coisa em comum.
segunda-feira, 17 de junho de 2024
Seca Pimenteira
Quem já ouviu falar em pessoas de olho gordo ou seca pimenteira? Eu ouvia e achava que era mais uma superstição boba porque nasci muito racional e sei que para tudo existe uma explicação lógica, baseada na ciência. Até que na adolescência pude assistir o fenômeno. Minha mãe tinha um vaso bem grande na varanda, onde ela cultivava um tipo de samambaia chamada avenca. Estava lidíssima, preenchendo totalmente o vaso e era um dos orgulhos dela. Ficava na varanda da sala, entre duas cadeiras, com outra cadeira à frente. Determinado dia minha mãe recebeu uma conhecida e cada uma sentou de um lado do frondoso vaso e sentei-me na cadeira da frente. No meio da conversa a visitante pediu à minha mãe que lhe desse o vaso, porque a planta estava linda e ela nunca conseguia que aquele tipo crescesse na casa dela. Óbvio que seu pedido foi negado, mas ela ofereceu-se para pagar pela planta e mais uma vez sua proposta foi recusada e pudemos ver a raiva estampada em seu rosto. Era um final de tarde e assim que ela saiu nos recolhemos e fechamos a casa. De manhã fui acordada por minha mãe estupefata, querendo que eu fosse ver a planta. Em resumo, a linda samambaia estava claramente dividida ao meio; do lado onde minha mãe se sentara estava verdejante, mas o lado onde a visita tinha se sentado estava totalmente queimado, como se um maçarico tivesse sido utilizado ali. Logo todas as folhas daquele lado caíram e só sobraram os talos mortos. Presenciei outro fato parecido quando adulta, mas aí eu já entendia a força da energia negativa de pessoas e objetos e sabia quanto mal podem causar. Meu corpo sente a energia e já posso minimizar os males que certas pessoas podem me causar e me afasto delas. Não é superstição,é perfeitamente explicável pela ciência.
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Querida Professora


















