Um dos piores infernos em que estive ocorreu entre 2008 e 2011 quando meu marido adoeceu e morreu. De um dia para o outro, entreguei um homem forte e saudável no hospital e me jogaram nos braços um vegetal que não era mais capaz de se movimentar, comer, beber e nem mesmo falar. Ninguém me ensinou como cuidar desse homem-bebê de 1.85 m e eu fiz tudo, numa cidade onde eu estava sozinha, não tinha empregada e nem mesmo dirigia (consequência de um trauma). Eu nem sabia que podia contratar cuidadores, passava dias e noites correndo a pé ou de taxi para cobrir todas as necessidades dele e ainda cuidar do apartamento imenso. Virei uma sombra exausta, mas consegui com que ele voltasse a ser um pouco do que era. Mas aí ele estava surtado e passava o tempo todo me espancando e tentando me matar e eu já estava entregue, quando os vizinhos chamaram uma ambulância e a polícia e ele foi levado para um hospital psiquiátrico e eu fui atendida por uma vizinha psiquiatra e uma psicóloga que trabalharam juntas para me recuperar e me tirar da apatia. Alguns meses depois ele faleceu e começou meu novo tormento. Aqui quero observar que eu estava privada de pensamento lógico e minha vida era uma névoa de dor enquanto tomava remédios fortes e fazia análise. Tinha um telefone fixo no quarto e todas as noites, por inúmeras vezes um homem me ligava dizendo as maiores obscenidades e descrevendo com detalhes escabrosos o que iria fazer comigo antes de me matar e jogar meus pedaços numa vala. Eu desligava e ele voltava a ligar pelo resto da noite não me deixando dormir. Uma noite desisti de desligar e deixei o telefone no travesseiro enquanto ele falava o que queria pensando que eu estava ouvindo. Mas a situação era tão horrível que comecei a chorar e do choro passei a uivar, quando percebi que ele começou a gritar meu nome com insistência. Peguei o telefone e perguntei o que mais ele queria de mim. Ele se mostrou surpreso e perguntou por que eu estava chorando. Falei que depois de tudo que eu estava passando ainda tinha que ouvir constantemente as ameaças dele, então eu só me restava chorar e esperar que ele cumprisse as ameaças. É importante dizer que ele tinha um palavreado característico de gangues, o que fazia com que suas ameaças se tornassem mais críveis. Ele pediu que eu contasse que sofrimentos eram esses e eu contei mais ou menos o que citei acima. Ele ouviu tudo calado e perguntou se eu tinha algum remédio para dormir e eu disse que sim, mas que ele mesmo me deixava acordada todas as noites e durante o dia tinha medo de sair de casa e ele estar me esperando para me sequestrar e fazer tudo que prometia. Então eu que fiquei surpresa, porque ele disse que tinha sido enganado pela pessoa que o mandou, que eu podia dormir em paz, que ele só me ligaria mais uma vez na noite seguinte e que eu poderia atender tranquila. E ele fez o que prometeu; na noite seguinte ligou com uma voz doce, disse que tinha conversado com o pastor dele, tinham orado pedindo perdão pelo que havia feito comigo e que daquele dia em diante ele cuidaria de mim da melhor forma que pudesse, de longe. Se despediu dizendo que eu ficasse com Deus e nunca mais me telefonou. Eu o perdoei de coração, mas não sei quem quis me ferir tanto, embora tenha minhas desconfianças. Mas sei que existem demônios que podem se tornar anjos. O homem que me ameaçava antes não parecia o mesmo de depois.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
Quando o Demonio tornou-se Anjo
Um dos piores infernos em que estive ocorreu entre 2008 e 2011 quando meu marido adoeceu e morreu. De um dia para o outro, entreguei um homem forte e saudável no hospital e me jogaram nos braços um vegetal que não era mais capaz de se movimentar, comer, beber e nem mesmo falar. Ninguém me ensinou como cuidar desse homem-bebê de 1.85 m e eu fiz tudo, numa cidade onde eu estava sozinha, não tinha empregada e nem mesmo dirigia (consequência de um trauma). Eu nem sabia que podia contratar cuidadores, passava dias e noites correndo a pé ou de taxi para cobrir todas as necessidades dele e ainda cuidar do apartamento imenso. Virei uma sombra exausta, mas consegui com que ele voltasse a ser um pouco do que era. Mas aí ele estava surtado e passava o tempo todo me espancando e tentando me matar e eu já estava entregue, quando os vizinhos chamaram uma ambulância e a polícia e ele foi levado para um hospital psiquiátrico e eu fui atendida por uma vizinha psiquiatra e uma psicóloga que trabalharam juntas para me recuperar e me tirar da apatia. Alguns meses depois ele faleceu e começou meu novo tormento. Aqui quero observar que eu estava privada de pensamento lógico e minha vida era uma névoa de dor enquanto tomava remédios fortes e fazia análise. Tinha um telefone fixo no quarto e todas as noites, por inúmeras vezes um homem me ligava dizendo as maiores obscenidades e descrevendo com detalhes escabrosos o que iria fazer comigo antes de me matar e jogar meus pedaços numa vala. Eu desligava e ele voltava a ligar pelo resto da noite não me deixando dormir. Uma noite desisti de desligar e deixei o telefone no travesseiro enquanto ele falava o que queria pensando que eu estava ouvindo. Mas a situação era tão horrível que comecei a chorar e do choro passei a uivar, quando percebi que ele começou a gritar meu nome com insistência. Peguei o telefone e perguntei o que mais ele queria de mim. Ele se mostrou surpreso e perguntou por que eu estava chorando. Falei que depois de tudo que eu estava passando ainda tinha que ouvir constantemente as ameaças dele, então eu só me restava chorar e esperar que ele cumprisse as ameaças. É importante dizer que ele tinha um palavreado característico de gangues, o que fazia com que suas ameaças se tornassem mais críveis. Ele pediu que eu contasse que sofrimentos eram esses e eu contei mais ou menos o que citei acima. Ele ouviu tudo calado e perguntou se eu tinha algum remédio para dormir e eu disse que sim, mas que ele mesmo me deixava acordada todas as noites e durante o dia tinha medo de sair de casa e ele estar me esperando para me sequestrar e fazer tudo que prometia. Então eu que fiquei surpresa, porque ele disse que tinha sido enganado pela pessoa que o mandou, que eu podia dormir em paz, que ele só me ligaria mais uma vez na noite seguinte e que eu poderia atender tranquila. E ele fez o que prometeu; na noite seguinte ligou com uma voz doce, disse que tinha conversado com o pastor dele, tinham orado pedindo perdão pelo que havia feito comigo e que daquele dia em diante ele cuidaria de mim da melhor forma que pudesse, de longe. Se despediu dizendo que eu ficasse com Deus e nunca mais me telefonou. Eu o perdoei de coração, mas não sei quem quis me ferir tanto, embora tenha minhas desconfianças. Mas sei que existem demônios que podem se tornar anjos. O homem que me ameaçava antes não parecia o mesmo de depois.
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