sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Fim da Estrada


 Quando acabava a estrada à frente comecei a olhar para trás. Vi quando ao invés de escolher o caminho seguro me iludi com um jardim de flores venenosas. Vi quando lutei com dragões para conquistar lindos tesouros e preferi trocá-los por gravetos e cascalhos. Vi quando tinha as cartas vencedoras na mão e preferi desistir do jogo. Me vi uma criança sozinha e desgarrada a quem não ensinaram o caminho mas me empurraram para que seguisse em frente. Segui cheia das melhores intenções, mas agora percebo que isso não blinda ninguém e muitas vezes pode nos tornar vítimas de nós mesmos e daqueles que se aproveitam da ingenuidade.  Hoje triste e assustada percebo que sempre me joguei de cabeça certa que valia a pena e quase sempre tomei as decisões erradas. Considero minha vida um enorme desperdício. Usei todos os meus talentos da forma errada ou apenas não os usei quando deveria. Coloquei a enorme bagunça que fiz numa peneira e percebi que juntei poucos tesouros; uma filha e três netos maravilhosos que me deram uma felicidade genuína e que provavelmente são meu único trunfo, meu canto de cisne. Agora que estou chegando ao meu destino final espero sinceramente que se houver retorno o Universo nunca mais gaste sua preciosa energia comigo, porque não sou uma aplicação rendosa. Se voltar for absolutamente necessário, sugiro que usem minha energia vital em algum inseto ou ave, que não carregue consigo grandes expectativas próprias ou alheias. Sou muito grata pelo que recebi e peço perdão por não ter correspondido ao que se esperava de mim. Só posso garantir que sempre pensei estar fazendo o melhor para mim e para os outros, mas como diz o adágio popular, de boas intenções o inferno está cheio.

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