sexta-feira, 27 de setembro de 2024
Conexão
Tenho profunda conexão com o universo. Isso faz com que eu saiba de muitas coisas sem ter pesquisado, que meus instintos gritem quando estou em perigo ou me levem a lugares que preciso ir como um verdadeiro GPS. Muitas vezes confundi os alertas, as bandeiras vermelhas com as verdes, por imaturidade ou teimosia e os resultados foram péssimos. Com o amadurecimento entendi que tudo é uma grande engrenagem, onde cada ser humano é responsável pelo seu bom ou mau funcionamento, portanto, se formos uma peça limpa e inteira permanecemos como parte do mecanismo e conheceremos seu núcleo. Se não, seremos esmagados ou cuspidos fora. Mesmo como criatura não política, nas eleições de 2018 senti uma profunda rejeição por determinado candidato, que infelizmente ganhou. Logo depois comecei a sentir um medo enorme, uma nuvem do mal se formando e eu não conseguia identificar de onde vinha nem o que era, mas garanto que era muito angustiante. Era a pandemia. Não gosto de futebol, mas enquanto meu companheiro assistia a um jogo e eu via um filme vi uma palavra que acionou a bandeira vermelha, uma tal de BET. Perguntei o que significava aquilo e ele disse que não sabia porque era a primeira vez que via a palavra, mas eu sentia que não era uma coisa boa e que cresceria muito em pouco tempo. Está aí e começa a mostrar seus frutos. Não tenho religião, mas me assustei demais quando vi determinada religião brotar em todos os lugares como erva daninha, uma religião que não exigia nada de seus pastores, a não ser um microfone e cadeiras para as ovelhas se acomodarem. E quanto mais ovelhas, mais dinheiro. Agora está em todas as casas, empresas e órgãos governamentais enfiando por nossa garganta suas convicções tolas e promovendo o ódio contra quem pensa diferente. Escrevo isso usando máscara depois de uma noite terrível lutando pra respirar, olhando através do vidro da janela e vendo a cidade toda coberta pela fumaça. Isso porque a ordem vinda dos esgotos sujos e obscuros era "tocar fogo no Brasil". Combina bem com eles e seu habitat que é o fogo dos infernos. Devem estar muito felizes gargalhando e admirando as chamas. E pouco se importam com quem morre pela peste ou pelo fogo. Se perguntar, porão a culpa em Deus, como sempre fazem.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Relógios
Minha mãe tinha um lindo relógio de ouro, bem pequeno, com abelhas nas laterais do mostrador, cujos olhos eram pequenos brilhantes. Em ocasiões especiais ela me vestia toda engomada e arrematava o visual colocando o tal relógio em meu braço. Da primeira vez eu fiquei encantada até o momento em que voltamos para casa e ela viu que ele estava parado. Era difícil entender, já que ela tinha dado corda nele e deveria estar funcionando. De imediato a culpa caiu sobre mim. Ela afirmava que alguma coisa eu tinha feito para estragar o relógio. Chorei muito pois era muito comportada e sabia que não tinha nem mesmo tocado na tal preciosidade. Mas quando ela deu corda ele voltou a funcionar normalmente e foi colocado no cofre. Na próxima saída lá veio ela com ele de novo dizendo que ia me dar mais uma chance e que se eu voltasse a fazer o sei lá o que para ele parar eu sofreria as consequências. E dessa vez não fiquei contente e passei o tempo todo com o braço duro, me desviando de tudo e todos para que nada acontecesse com o bendito relógio. Mas adivinhem, ele parou de funcionar e sofri as consequências quando chegamos em casa. Daí em diante era uma tortura quando tínhamos que ir a alguma solenidade, por causa do "maldito" relógio, que sempre parava mas voltava a funcionar quando minha mãe dava corda e colocava em meu braço. E a cada vez ela fazia infinitas recomendações e ameaças caso eu o "estragasse" de novo. Ela nem eu entendíamos o que acontecia, mas ela estava certa de que eu fazia de propósito. Um dia, felizmente ela desistiu de mostrar às pessoas que eu usava um relógio de ouro. E eu passei a odiar relógios, embora nunca tentasse desvendar o mistério dos relógios não gostarem de mim. Nessa época todos os relógios eram analógicos. Quando fiquei adulta cheguei a testar relógios de colegas de trabalho e amigos e descobri que eles começavam se atrasando quando eu os colocava e depois paravam. Quando voltavam para os donos voltavam a funcionar normalmente. Sempre fui muito racional e a essas alturas sabia que havia uma explicação lógica. Eu precisava de um relógio naquela época em que não havia celulares e não sabia o que fazer. Um dia vi numa vitrine um relógio Casio, digital. Num estalo resolvi arriscar todas as cartas e comprei um, já que o vendedor me disse que não precisava dar corda, que ele funcionava a bateria. Incrivelmente esse relógio nunca parou, a não ser quando acabava a bateria. Até hoje não sei o que acontecia, mas acredito que tenha a ver com o meu campo energético.
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