quinta-feira, 27 de junho de 2024

A Força do Nome


 Como profunda admiradora da vida e suas complexidades, percebi que cada nome traz em si uma característica, que pode ser boa, má ou insignificante. Aconteceu ao acaso e comecei a perceber isso naturalmente. Nem mesmo tenho explicação, só sei que é fato e deve fazer parte da ordem do universo. Também tem as exceções como tudo na vida, mas aconselho com veemência que sempre que alguém for dar nome a uma criança, no mínimo relembre todas as pessoas de seu conhecimento que possuem tal nome e procure o que possuem em comum. Às vezes é cor dos cabelos, peso, manias ou coisas mais sérias como desvio de caráter e doenças. Muito mais tarde, quando conheci a Republica Tcheca descobri que lá cada pessoa tem o dia do nome, ocasião tão ou mais celebrada que o dia do nascimento. Nesse dia as pessoas costumam receber flores e presentes e isso certamente mostra a importância da escolha do nome de uma criança. Lá não é costume usar nem inventar nomes novos cheios de Ls, Ys, Ws e Hs como aqui, usa-se nomes testados pelo uso e resultados. Tenho uma lista de nomes ruins, como Art.. para meninos e Vi..... para meninas, que geralmente têm doenças graves ou mortes trágicas. Os Ju.... trazem uma tendência à obesidade. As Su.... costumam ser consumidoras compulsivas. Teria muitos outros nomes com características de bondade, honestidade, narcisismo, etc., mas não estou escrevendo um livro, apenas um alerta sem bases científicas e deixo a critério de cada um fazer suas próprias análises.

domingo, 23 de junho de 2024

Alguém Igual a Mim?


 Consta em minha certidão que nasci em Unaí, cidade do estado de Minas Gerais, mas fui criada em Formosa, cidade goiana que fica a cerca de 137 km de lá. Meus pais eram presbiterianos e frequentávamos a igreja regularmente, principalmente aos domingos, quando íamos à escola dominical de manhã e ao culto à noite. Certo dia, no início da adolescência, ao chegar ao culto fomos informados que o pastor de Unaí estava em visita à cidade e estava no culto. No fim do ato, como era de praxe, o pastor ficou na porta cumprimentando os fiéis e nesse dia o pastor visitante ficou ao lado dele. Quanto foi minha vez e de meus pais ele alegremente dirigiu-se a mim usando outro nome e perguntando como tinha chegado tão rápido e porque não tinha dito a ele na escola dominical que eu iria para Formosa nesse mesmo dia, porque sendo assim ele me daria uma carona. Surpresa eu disse que aquele não era meu nome e que nem mesmo conhecia Unaí, mas ele insistiu como se eu estivesse brincando com ele, já que eu frequentaria a congregação dele e ele teria me visto naquele mesmo dia e me conheceria muito bem. Meus pais interromperam o constrangimento e no caminho de casa me convenceram que o pastor estava enganado. Mas isso não ficaria por isso mesmo. Cerca de cinco anos depois eu tinha uma colega de colégio e grande amiga. Nos víamos todos os dias, ficávamos juntas no intervalo e nos sentávamos próximas. Numa segunda-feira ao chegar na escola encontrei-a eufórica, me esperando na porta. Mal cheguei foi me contando que tinha ido passar o final de semana na casa de parentes em Planaltina (cidade vizinha) onde tinha encontrado uma moça igualzinha a mim. Disse que correu atrás da moça chamando meu nome e quando conseguiu alcançá-la ela não demonstrou surpresa, dizendo que não era a primeira vez que era confundida comigo e isso acontecia com mais frequência em Unaí onde ela morava até pouco tempo. Mais uma vez minha mãe me convenceu de que provavelmente ela se parecia comigo mas não era igual. Tantos anos depois continuo com vontade de conhecer essa pessoa, pois sou filha única e sempre fui muito solitária. Seria muito bom conhecer alguém tão parecida comigo e com tanta coisa em comum.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Seca Pimenteira


 Quem já ouviu falar em pessoas de olho gordo ou seca pimenteira? Eu ouvia e achava que era mais uma superstição boba porque nasci muito racional e sei que para tudo existe uma explicação lógica, baseada na ciência. Até que na adolescência pude assistir o fenômeno. Minha mãe tinha um vaso bem grande na varanda, onde ela cultivava um tipo de samambaia chamada avenca. Estava lidíssima, preenchendo totalmente o vaso e era um dos orgulhos dela. Ficava na varanda da sala, entre duas cadeiras, com outra cadeira à frente. Determinado dia minha mãe recebeu uma conhecida e cada uma sentou de um lado do frondoso vaso e sentei-me na cadeira da frente. No meio da conversa a visitante pediu à minha mãe que lhe desse o vaso, porque a planta estava linda e ela nunca conseguia que aquele tipo crescesse na casa dela. Óbvio que seu pedido foi negado, mas ela ofereceu-se para pagar pela planta e mais uma vez sua proposta foi recusada e pudemos ver a raiva estampada em seu rosto. Era um final de tarde e assim que ela saiu nos recolhemos e fechamos a casa. De manhã fui acordada por minha mãe estupefata, querendo que eu fosse ver a planta. Em resumo, a linda samambaia estava claramente dividida ao meio; do lado onde minha mãe se sentara estava verdejante, mas o lado onde a visita tinha se sentado estava totalmente queimado, como se um maçarico tivesse sido utilizado ali. Logo todas as folhas daquele lado caíram e só sobraram os talos mortos. Presenciei outro fato parecido quando adulta, mas aí eu já entendia a força da energia negativa de pessoas e objetos e sabia  quanto mal podem causar. Meu corpo sente a energia e já posso minimizar os males que certas pessoas podem me causar e me afasto delas. Não é superstição,é perfeitamente explicável pela ciência.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Querida Professora

Quando fazia o curso de magistério resolvi dar aulas em escolas afastadas e carentes, onde muitas vezes os professores concursados se recusavam a ir. Eu ia sem ganhar por isso. Não ganhava dinheiro, mas o que ganhei de experiência e carinho foi imensurável. Meus alunos eram crianças carentes, muitas delas andavam pelas ruas, sofriam abusos e traziam uma carga de sofrimentos, que eu procurava minimizar com atenção e carinho. Na minha sala havia crianças dos nove aos dezoito anos, enquanto eu tinha cerca de vinte anos. Mas tratava a todos da mesma forma, oferecendo conhecimento de todas as formas possíveis além de atenção para seus problemas. Havia o aluno de treze anos que nunca aprendeu a ler porque era totalmente surdo e ninguém tinha percebido; havia o aluninho que sempre que eu me aproximava se encolhia e tremia de medo, até eu descobrir que os pais só se aproximavam dele sempre para espancá-lo. Em contrapartida passei a beijá-lo todos os dias e o brilho em seus lindos olhos verdes a cada vez que fazia isso era um presente para mim. Não vou me aprofundar mais, porque isso apenas serviu de introdução para o que quero contar, que foi um lindo gesto deles. Eu sabia que precisava ganhar dinheiro e queria fazer faculdade, portanto não poderia continuar fazendo uma coisa que era contra as regras, já que eu não era concursada e não me trazia o retorno financeiro. Me inscrevi no primeiro concurso para a Policia Federal mas não contei para meus alunos, porque não sabia se passaria e nem como contaria para eles, porque me doía muito pensar em deixá-los. Mas fui classificada e chegou o dia de me despedir. Entrei em sala e reprimindo o choro contei tudo para eles e disse que aquele seria meu ultimo dia de aula. A maioria começou a chorar imediatamente e eu passei a maior parte do tempo secando as lágrimas que teimavam em escorrer por minha face. Já contei que eram crianças pobres e isso aumenta a importância do que fizeram mais tarde. Quando terminei a aula saíram silenciosamente e deixei as lágrimas saírem livremente enquanto apagava o quadro negro. Daí a pouco ouvi chamarem meu nome na porta. Olhei e vi todos eles enfileirados, cada um com um ramo, uma flor tirada de algum lugar vizinho ou um capim nas mãos. Foram entrando um a um, me entregaram o que tinham trazido e me deram um abraço e um beijo. Fizeram isso por conta própria e gravaram o gesto em meu coração. Nunca irei esquecê-los.

 

 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Falsa Identidade

Um tempo atrás, na verdade muito tempo, comecei a receber telefonemas ameaçadores de uma mulher. Ela sabia meu nome, sabia que eu era casada e dizia que eu estava tendo um caso com o marido dela. Quando perguntei quem era ele, ela foi sarcástica e disse que eu deixasse de ser cínica porque já que  tinha uma caso com ele com certeza eu sabia seu nome. Os telefonemas eram constantes e com muitos xingamentos, mas o que mais me incomodava era não conseguir saber quem era ela e porque tinha tanta certeza do caso. Isso tirou minha paz até que numa madrugada ela ligou dizendo que eu estava na cama com o marido dela e que se eu não terminasse com ele ela iria contar para meu marido. Felizmente meu marido estava ao meu lado e eu vi a oportunidade de esclarecer tudo, passando o telefone para ele. Assim que ele se identificou ela desligou e parou com as ameaças, mas para mim o mistério continuava; por que ela sabia meu telefone e meu nome e tinha tanta certeza de que eu era amante do marido dela? Na época eu tinha uma empregada doméstica e descobri que ela estava pegando coisas minhas para usar no final de semana, até biquinis e lingerie. Claro que a despedi, embora não soubesse a extensão do atrevimento dela. Mas uma amiga dela que trabalhava perto de minha casa achou que devia me contar que a moça  usava meu nome, meu telefone e meu status de mulher casada e tinha um caso com um homem que pensava que ela era eu. Fico imaginando o que mais ela pode ter aprontado usando meu nome.