segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Das vezes em que morri
Pra quem não sabe, fui Policial Federal. Aos 21 anos enfrentei mais de 12.000 candidatos de todo o Brasil e consegui ser classificada entre os duzentos primeiros lugares, embora na ocasião só tivesse completado o curso de magistério e fosse a única candidata que não cursava uma faculdade ou não tivesse curso superior. Me orgulho muito disso porque estudei sozinha, com livros e apostilas emprestados e nem mesmo eram específicos para o concurso. Estudei muito, treinei exaustivamente e consegui. Depois, com meu trabalho, fiz faculdade de Direito. Eu precisava registrar isso aqui. Em determinada época eu tinha um colega de trabalho que gostava muito de brincar com a sua arma enquanto estava em sua mesa. Às vezes apontava a arma para os colegas e ria do medo deles. A mim tratava com desdém por temer o seu símbolo fálico e sempre me irritar com seu manuseio irresponsável. Dizia que lugar de mulher era em casa e não na polícia, o que é bem típico de homens assim. Tínhamos sérias desavenças sobre isso, e, um dia, como era de se esperar, a arma disparou. Conforme a perícia, o tiro teria acertado a minha cabeça se no momento do fato eu estivesse na minha mesa. Pessoas presentes contaram que ele ficou extremamente pálido e trêmulo, apavorado com o fato de que eu poderia estar sentada ali. Estaria, se meu instinto não tivesse me afastado justamente nessa hora. Foi assustador entrar na sala e ver um buraco na parede atrás de onde estaria. Essa foi uma das vezes que flertei com a morte.
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